"cuidar de si, do outro, da natureza"
O ato de se descobrir: Da Cidade ao Coração da Natureza
Uma jornada de transformação e reconexão com a vida simples e natural. Neste espaço, compartilho aprendizados de uma vida mais sustentável, receitas artesanais, saberes antigos e a alegria de cuidar da vida com as próprias mãos. Seja bem-vinda ao Da Mata Vida Natural — onde cada criação é um ato de amor à Terra.
Carol Ribeiro
4/27/20252 min read


Eu não cresci em uma fazenda ou mesmo próxima a Natureza, na verdade, quando era pequena, tinha pavor de estrume de vaca e bichinhos de todo tipo. Parece irônico, porque hoje adoro o cheiro, mesmo não criando vacas, mas comprando o adubo de criadores para as plantas que cultivo. Há muitas ironias na minha vida, entre a Carol do passado e a de hoje. Cresci na cidade, acreditando que aquela era a vida ideal. Queria estar na moda, com os cabelos alisados e almejava um corpo totalmente diferente do meu. Meus sonhos de consumo eram roupas de grife e modernidades, mas nunca os alcancei, pois me desviei desse caminho bem cedo.
Um namorado mais velho, que havia sido mochileiro, me contava suas histórias de viagens cheias de aventuras, cabelos ao vento, experiências e sorrisos. Aquilo mexeu comigo! A faculdade de jornalismo ia bem, até trabalhar numa televisão local da Bahia eu já trabalhava. Eu me via apresentando programas, viajando para reportagens. Mas, ao estar nos bastidores muito cedo, percebi o quão distante estava do glamour da profissão. A época foi boa, entrevistei figuras importantes da cultura soteropolitana (inclusive Caetano Veloso e Ney Matogrosso no programa Soterópolis, ainda na TVE – Bahia), mas também era muito engessado. As produções e fontes de entrevistados eram limitadas pelo que era permitido naquela TV aberta do Estado.
Viver o jornalismo desde cedo me fez perceber o que eu não queria para a minha vida e carreira. Após aulas de ética e também com um professor que logo depois ficou muito famoso - Jean Wyllys (sim, antes do Big Brother), minha visão de mundo foi mudando. Roupas de grife perderam a importância e algo parecia faltar. As histórias de viagens do meu namorado me atraíam mais do que o mundo tradicional. Saí da faculdade, decidi viajar com uma mochila e o sonho de me encontrar. Sozinha, longe de todos que me conheciam, pude aos poucos descobrir quem eu realmente era.
De mochila nas costas muitas coisas aconteceram e fui me descobrindo cada vez mais feliz em ambientes naturais, dormindo ao ar livre sob céus estrelados, tomando banho de rio gelado e fazendo minha própria comida com vegetais frescos e menos industrializados. Muitas experiências depois, engravidei…
Entre tudo o que vivi, até ter meu primeiro filho em um parto natural na floresta amazônica, eu mudei. Não, eu não mudei; simplesmente me permitir retirar as camadas sociais impostas e encontrei quem realmente sou, ou quem eu vim ser e pude começar a trilhar um caminho pisando melhor no chão.
Já se passaram 17 anos desde o nascimento do meu primeiro filho, e com ele vieram outros dois, também nascidos em casa, no meio do mato. A Carolina que reencontrei ama o cheiro de terra molhada com estrume, adora ter as mãos sujas de terra ao colher chá do jardim, ama estudar saberes antigos e agora compartilha tudo isso com o mundo, se reencontrando com a Carolina do passado que havia escolhido estudar jornalismo e que também faz parte de mim.
Bem-vinda ao blog Da Mata Vida Natural!


